Paragem Obrigatória

Vivemos a correr. Eis um facto que não causa espanto a ninguém. Andamos a correr, sempre com pressa, sempre sem tempo. A única coisa para a qual ainda nos resta tempo é para nos queixarmos da falta dele. Queremos mais horas no relógio, porque aquelas que o universo nos deu sabem a pouco. O problema — um dos — desta vida moderna e urbana que a sociedade nos vendeu, é que as consequências somos nós que as sentimos na pele. Não o tempo, nem tão pouco o relógio, que lá continuam perfeitamente sintonizados. A correr naturalmente como um rio que abraça o mar.

As consequências da vida moderna, urbana, e, mais que nunca, digital (que aumentou exponencialmente os níveis de aceleração do ritmo em que vivemos), começam a tornar-se óbvias e, cada vez mais, incontornáveis. Fala-se (muito) de depressão; toda a gente já sofreu de, pelo menos um, ataque de ansiedade; termos, como burnout, começam a ganhar consistência. A máquina perfeita que é a do ser humano desata a entrar em falência. Não por não estar preparada para tudo, mas porque não está pronta para viver a um ritmo que não é o seu. Como este que experienciamos.

Assim, torna-se óbvio e urgente parar para pensar. Parar para que haja primeiro uma reflexão e depois uma reconexão com o ritmo natural das coisas. E esse ritmo é o da Natureza. A realidade é que ao longo da história, os seres humanos passaram mais de 99,99% do tempo num ambiente natural. Os corpos adaptaram-se à Natureza no decorrer de milhões de anos de evolução, tornando o homem num ser da Natureza. É por isso que quando entramos em contacto com Ela, numa floresta, num parque ou perto de flores, nos sentimos relaxados. Tal acontece porque o corpo humano (e os genes humanos) foram feitos para se adaptarem à mãe Natureza. Nela o homem encontra um espaço onde se sente em casa. E esta é provavelmente uma das melhores e mais eficientes respostas às doenças do século XXI: a Natureza enquanto medicina; a Natureza enquanto espaço de reconexão; a Natureza enquanto cura. Porque se um dia nos disseram que parar era morrer, hoje grita-nos o mundo que parar não só não é morrer, como se revelou vital.


RENATURE © Copyright 2018- 2019 - by COVER - digital agency